Mineração em Pequena Escala e Desenvolvimento Regional no Amapá

Projeto “A extração de recursos minerais em pequena escala e sua inserção em uma estratégia de desenvolvimento regional sustentável”

2021 · WWF-Brasil · NAEA/UFPA · Amapá · Mineração em Pequena Escala · Desenvolvimento Regional

Garimpo · Governança da Mineração · Formalização · Organizações · Condições Socioambientais · Desenvolvimento Sustentável

Visão Geral do Projeto

Mineração em Pequena Escala e Desenvolvimento Regional no Amapá foi um projeto de pesquisa aplicada. Sua questão central era examinar as condições sob as quais a extração mineral não industrial poderia contribuir de forma socialmente aceita e efetiva para o desenvolvimento regional sustentável.

mais efetiva para o desenvolvimento regional sustentável na Amazônia brasileira.

A pesquisa originou-se de um conceito desenvolvido no NAEA/UFPA, em abril de 2021, com o título A extração de recursos minerais em pequena escala e sua inserção em uma estratégia de desenvolvimento regional sustentável.

O estudo subsequente foi contratado pelo WWF-Brasil, com administração contratual pela FADESP.

A pesquisa concentrou-se empiricamente no Amapá, onde a mineração de ouro em pequena escala integra há muito tempo processos de ocupação territorial e economias regionais.

Em vez de tratar o garimpo exclusivamente como problema ambiental ou como atividade econômica, o estudo examinou as relações entre extração mineral, economias regionais, trabalho, organizações, formalização, políticas públicas, pressões ambientais e desenvolvimento local.

Problema de Pesquisa

A mineração de ouro em pequena escala ocupa uma posição ambivalente no desenvolvimento amazônico.

Ela pode gerar emprego e renda e sustentar atividades econômicas em localidades com poucas alternativas produtivas.

Ao mesmo tempo, pode produzir custos ambientais, sociais e de saúde ocupacional significativos e frequentemente opera por meio de arranjos institucionais nos quais práticas formais e informais coexistem.

A pesquisa procurou, portanto, superar uma oposição simples entre mineração e proteção ambiental.

Sua questão central era examinar as condições sob as quais a extração mineral não industrial poderia contribuir de forma socialmente aceita e efetiva para o desenvolvimento regional sustentável.

Isso exigia analisar não apenas as operações minerárias, mas também as relações mais amplas que conectam extração mineral a mercados, trabalho, economias locais, regulação política, organizações, condições ambientais e desenvolvimento territorial.

Mineração em Pequena Escala no Amapá

A pesquisa identificou a mineração de pequena escala como componente historicamente estabelecido da transformação regional no Amapá.

Atenção especial foi dada a áreas mineradoras como Lourenço, Vila Nova/Gaivota e Oiapoque, além de outras áreas de atividade mineral no estado.

A análise mostrou que os territórios mineradores diferem consideravelmente em suas trajetórias históricas, estruturas organizacionais e graus de formalização.

Em algumas localidades, a extração mineral contribuiu para a formação de assentamentos relativamente permanentes e economias locais.

Em outras, a mineração organizou-se por meio de arranjos mais dispersos ou menos formalizados.

Essa diversidade territorial tornou necessário analisar o garimpo não como setor homogêneo, mas como um conjunto de diferentes configurações regionais de extração mineral, ocupação territorial, organização e atividade econômica.

Formalização, Informação e Governança da Mineração

Um dos problemas centrais identificados pela pesquisa dizia respeito à relação entre registros minerários formais e a extração mineral efetivamente existente.

As informações administrativas oficiais não forneciam uma representação completa da mineração em pequena escala.

Por isso, a pesquisa combinou diferentes fontes de informação para localizar áreas mineradoras e caracterizar suas atividades.

Essa dificuldade revelou um problema mais amplo de governança: políticas públicas efetivas dependem de conhecimento confiável sobre onde a mineração ocorre, quem participa dela, como a produção é organizada e como a extração se relaciona com economias locais e condições ambientais.

A produção e organização de informações tornaram-se, assim, um componente importante da pesquisa.

Os dados não foram tratados apenas como insumo técnico. O estudo mostrou a importância de conhecimento e informação para a capacidade de instituições públicas e outros atores desenvolverem formas adequadas de intervenção.

Organizações e Governança de Recursos

A pesquisa também examinou as estruturas organizacionais que envolvem a mineração em pequena escala.

As operações minerárias estão inseridas em relações entre proprietários de minas, trabalhadores, prestadores de serviços, fornecedores, operadores de equipamentos, proprietários de terras, instituições públicas, atores políticos e organizações representativas dos garimpeiros.

Atenção particular foi dada a cooperativas e outras formas de organização coletiva.

Em áreas como Lourenço e Vila Nova/Gaivota, cooperativas integravam o ambiente institucional por meio do qual atividades minerárias, processos de formalização e relações com o poder público eram organizados.

Essas relações mostraram que a governança da mineração em pequena escala não pode ser compreendida exclusivamente a partir da legislação minerária ou de operações individuais.

Ela depende de redes organizacionais e institucionais mais amplas que conectam extração, trabalho, mercados, regulação e interesses territoriais.

Economias Regionais e Relações Territoriais

Uma dimensão importante do estudo dizia respeito às relações econômicas entre mineração e regiões do entorno.

A pesquisa examinou como a extração mineral gera fluxos de renda, bens, serviços e emprego e como essas relações contribuem para a atividade econômica local.

O caso de Oiapoque acrescentou uma dimensão transfronteiriça.

Atividades econômicas no município estavam conectadas, de diferentes formas, à mineração realizada do outro lado da fronteira, na Guiana Francesa.

Esse caso ilustrou como economias locais podem se conectar a redes de extração mineral que ultrapassam fronteiras nacionais.

Essas observações reforçaram a necessidade de compreender a mineração por meio de suas relações econômicas regionais e territoriais, e não apenas a partir de locais individuais de extração.

Condições Socioambientais

O diagnóstico examinou custos ambientais e sociais associados à extração mineral em pequena escala.

Entre os problemas ambientais estavam impactos sobre sistemas hídricos e riscos relacionados ao uso de mercúrio.

As dimensões sociais incluíram saúde e segurança ocupacional, condições de trabalho e ocorrência de malária.

Essas consequências distintas mostraram a dificuldade de avaliar a mineração a partir de um único critério de sustentabilidade.

Contribuições econômicas, emprego, pressões ambientais, condições ocupacionais, capacidade institucional e consequências regionais de longo prazo precisam ser consideradas em conjunto ao avaliar caminhos possíveis para formas mais sustentáveis de extração mineral.

Além do Ouro

Embora o ouro tenha constituído o principal foco da pesquisa, a análise de requerimentos e títulos minerários também identificou cassiterita e tantalita como minerais relevantes no contexto da mineração em pequena escala no Amapá.

Essa observação ampliou a perspectiva empírica para além do ouro e indicou que a extração mineral em pequena escala integra uma economia regional de recursos minerais mais diversificada.

Posteriormente, essa constatação adquiriu nova relevância em minha trajetória de pesquisa, à medida que questões relacionadas a matérias-primas críticas, fornecimento mineral responsável e relações entre produção mineral e desenvolvimento regional se tornaram mais importantes.

Abordagem de Pesquisa

O projeto combinou diferentes formas de evidência e análise, incluindo:

  • pesquisa documental e regulatória;
  • informações sobre mineração e direitos minerários;
  • dados socioeconômicos;
  • informações ambientais e de saúde;
  • análise territorial e espacial;
  • análise de organizações mineradoras e cooperativas;
  • análise de políticas públicas;
  • análise de relações econômicas regionais;
  • comparação entre registros formais e atividade minerária observável.

O estudo constituiu, portanto, um diagnóstico multidimensional, e não um estudo convencional de impacto ambiental.

Uma característica metodológica importante foi a combinação de informações provenientes de diferentes domínios institucionais.

Quando estatísticas minerárias isoladas eram insuficientes, outras fontes foram utilizadas para ampliar a compreensão da distribuição territorial e das características da mineração em pequena escala.

Do Diagnóstico à Intervenção

A pesquisa não se limitou à identificação de problemas relacionados à mineração em pequena escala.

O relatório diagnóstico desenvolveu um quadro inicial para pensar as condições necessárias a uma organização mais sustentável da extração mineral não industrial.

A perspectiva de intervenção distinguiu quatro dimensões interconectadas:

Sustentabilidade ambiental — redução de danos ambientais e melhoria das práticas ambientais.

Sustentabilidade econômica — fortalecimento da capacidade da mineração de gerar atividade econômica viável e relevante para a região.

Sustentabilidade social — melhoria das condições de trabalho e das condições sociais associadas à extração mineral.

Sustentabilidade institucional — fortalecimento de organizações, informação, formalização e capacidade institucional necessárias à governança da mineração.

Esse quadro deslocou a pergunta de se a mineração de pequena escala deveria simplesmente ser aceita ou rejeitada para uma questão mais exigente:

Quais mudanças estruturais e institucionais seriam necessárias para que a extração mineral pudesse contribuir para o desenvolvimento regional sustentável?

Minha Função

Desenvolvi o conceito original A extração de recursos minerais em pequena escala e sua inserção em uma estratégia de desenvolvimento regional sustentável no NAEA/UFPA, em abril de 2021.

O conceito definiu o problema de pesquisa, a arquitetura do diagnóstico e uma sequência mais ampla que partia do diagnóstico em direção ao desenvolvimento e à discussão de possíveis intervenções de políticas públicas.

Após a contratação do estudo pelo WWF-Brasil, participei diretamente da pesquisa e fui coautor do relatório diagnóstico juntamente com Marcelo José de Oliveira.

Minha contribuição esteve particularmente relacionada à conexão entre extração mineral em pequena escala, políticas públicas, organizações e desenvolvimento regional.

Produto de Pesquisa

O principal produto documentado é o estudo:

Diagnóstico da situação atual da garimpagem — com enfoque na situação no Estado do Amapá

Armin Mathis & Marcelo José de Oliveira, 2021.

O relatório analisou a organização territorial da mineração em pequena escala, produção mineral e formalização, condições socioambientais, organizações, políticas públicas e possibilidades de intervenção.

O conceito original previa etapas adicionais envolvendo pesquisa de campo, discussão com atores e desenvolvimento mais aprofundado de uma proposta de política pública.

Essas atividades não são apresentadas aqui como produtos concluídos porque sua realização não está documentalmente confirmada.

Contribuição para Minha Pesquisa

A pesquisa no Amapá reuniu diferentes linhas desenvolvidas ao longo de minhas pesquisas anteriores sobre mineração amazônica e desenvolvimento regional.

Trabalhos anteriores haviam examinado garimpo de ouro, relações de trabalho, mudança tecnológica, organizações mineradoras, políticas públicas e conflitos relacionados ao acesso aos recursos minerais.

O projeto do Amapá inseriu essas questões em um quadro explicitamente orientado ao desenvolvimento regional e à intervenção.

Três questões tornaram-se particularmente importantes.

Conhecimento e formalização. A intervenção pública depende da capacidade de observar adequadamente a extração mineral. Diferenças entre registros administrativos formais e a atividade efetiva constituem, portanto, não apenas um problema de dados, mas também um problema de governança.

Organizações e mediação. A mineração organiza-se por meio de relações entre trabalhadores, proprietários, cooperativas, instituições públicas, prestadores de serviços, atores políticos e outras organizações. Essas relações influenciam tanto as possibilidades de formalização quanto as consequências regionais da extração.

Consequências regionais. A contribuição da mineração para o desenvolvimento não pode ser avaliada apenas pela produção mineral. Emprego, fluxos econômicos, pressões ambientais, capacidade institucional e relações territoriais determinam como a mineração produz consequências em contextos regionais específicos.

Essas questões continuaram a informar minhas pesquisas posteriores sobre mineração responsável, matérias-primas críticas, governança de recursos e desenvolvimento regional.

Da Mineração em Pequena Escala ao Desenvolvimento Regional na Sociedade Mundial

O projeto do Amapá foi realizado antes do desenvolvimento do atual marco teórico de Desenvolvimento Regional na Sociedade Mundial (RWS).

Ele não deve, portanto, ser interpretado como uma aplicação da RWS.

Sua relevância é genealógica e empírica.

A pesquisa mostrou como processos que ultrapassam o Amapá — incluindo mercados minerais, regulação da mineração, normas ambientais e relações transfronteiriças — interagem com territórios mineradores historicamente constituídos, organizações e economias locais.

Também mostrou que essas relações produzem consequências regionalmente diferenciadas.

A mineração pode simultaneamente gerar renda e emprego, pressões ambientais, riscos ocupacionais, conflitos políticos e demandas por intervenção pública.

A dificuldade de obter informações confiáveis sobre a mineração acrescentou outra dimensão importante: processos regionais somente podem adquirir relevância para a intervenção pública quando são observados por meio de formas específicas de dados, conhecimento e processamento organizacional da informação.

Na perspectiva de minha pesquisa atual, o projeto constitui um antecedente empírico importante para questões posteriores relacionadas a conhecimento e mensuração, organizações, condições materiais, conexões seletivas com processos societais mais amplos e consequências regionalmente diferenciadas.

Relevância analítica retrospectiva:
Mineração · Organizações · Conhecimento e Mensuração · Formalização · Condições Materiais · Relações Global–Regional · Diferenciação Territorial · Consequências Regionais

A relação com a RWS é de genealogia de pesquisa, e não de continuidade teórica.

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