Projeto Mineração — Garimpo e Mineração Industrial
Projeto “Mineração — Ouro: a garimpagem e a mineração industrial”
1994–1996 · IDRC · UFPA/NAEA · Pesquisador Sênior · Mineração de Ouro · Garimpo · Mineração Industrial · Amazônia
Mineração de Ouro · Garimpo · Mineração Industrial · Relações de Trabalho · Economia Mineral · Transformação Regional · Amazônia
Visão Geral do Projeto
Projeto Mineração — Ouro: a garimpagem e a mineração industrial foi um projeto de pesquisa desenvolvido no NAEA/UFPA com apoio do International Development Research Centre (IDRC).
O projeto ampliou pesquisas anteriores sobre mineração artesanal de ouro na Amazônia ao introduzir uma comparação sistemática entre garimpagem e mineração industrial de ouro.
A pesquisa teve início em 1994 e sua principal fase foi concluída em junho de 1996.
A documentação contemporânea identifica Franz Josef Brüseke como coordenador do projeto e Armin Mathis e Franz Josef Brüseke como pesquisadores seniores.
O projeto representou uma mudança importante em minha trajetória de pesquisa.
Trabalhos anteriores haviam se concentrado predominantemente no garimpo, nas relações de trabalho, na organização social e nas consequências ambientais da mineração artesanal.
O Projeto Mineração ampliou essa perspectiva ao perguntar como diferentes formas de extração mineral eram organizadas e como mineração artesanal e industrial se conectavam a processos econômicos e regionais mais amplos.
Uma questão comparativa central era:
Como formas artesanais e industriais de mineração de ouro diferem em sua organização e em suas consequências sociais, econômicas e regionais?
Contexto da Pesquisa
No início da década de 1990, a mineração de ouro havia se tornado um componente importante das transformações econômicas da Amazônia.
O garimpo havia se expandido significativamente durante as décadas anteriores e produzido formas específicas de relações de trabalho, padrões de ocupação, redes comerciais e uso de recursos.
Ao mesmo tempo, a mineração industrial de ouro adquiria importância crescente.
O projeto surgiu precisamente nesse contexto de mudança.
A documentação do período indicava que a mineração industrial, anteriormente menos relevante na produção aurífera amazônica, aumentava rapidamente sua participação.
Isso justificava ampliar a análise para além do garimpo e comparar formas artesanais e industriais de extração.
A mineração passou, assim, a ser tratada não como atividade homogênea, mas como um campo caracterizado por diferentes tecnologias, formas organizacionais, relações de trabalho e conexões com mercados e contextos regionais.
Do Garimpo à Pesquisa Comparativa sobre Mineração
Minhas pesquisas anteriores haviam examinado o garimpo como forma específica de extração de recursos na Amazônia.
Esses trabalhos abordavam questões como:
- relações de trabalho e condições de trabalho;
- atores sociais envolvidos no garimpo;
- práticas tecnológicas;
- consequências ambientais;
- políticas estatais para a mineração artesanal;
- relações entre mineração, economias regionais e estratégias nacionais de desenvolvimento.
O Projeto Mineração ampliou essa agenda ao introduzir a mineração industrial de ouro como referência comparativa.
A comparação permitiu investigar se diferenças de escala, tecnologia, intensidade de capital e estrutura organizacional também produziam relações distintas com trabalhadores, instituições públicas, mercados e regiões.
O foco analítico deslocou-se, portanto, de:
Como o garimpo é organizado?
para uma questão mais ampla:
Como diferentes formas de extração mineral se organizam e produzem consequências na sociedade e na economia amazônicas?
Garimpo e Mineração Industrial
Mineração Artesanal e de Pequena Escala de Ouro
O garimpo envolvia formas flexíveis e frequentemente descentralizadas de produção, relações de trabalho heterogêneas e redes conectando garimpeiros, proprietários de equipamentos, comerciantes, prestadores de serviços e economias locais.
Sua organização era fortemente influenciada pelas características materiais dos depósitos minerais, pelas possibilidades tecnológicas, pela mobilidade e pelas variações do preço do ouro.
O garimpo também gerava consequências ambientais e sociais significativas e problemas recorrentes para a regulação pública.
Mineração Industrial de Ouro
A mineração industrial apresentava exigências de capital muito maiores, organização empresarial formal, maior intensidade tecnológica e integração mais forte com mercados nacionais e internacionais de investimento e commodities.
Sua crescente importância colocava questões diferentes relacionadas a emprego, organização empresarial, encadeamentos econômicos regionais, impactos ambientais e relações entre empresas mineradoras e autoridades públicas.
A comparação ultrapassava, portanto, uma simples distinção entre mineração “formal” e “informal”.
O projeto examinava diferentes formas organizacionais de extração e as relações sociais e regionais associadas a elas.
Mineração e Transformação Regional
Um desenvolvimento importante durante o projeto foi a ampliação gradual do problema de pesquisa da organização da extração para a relação entre mineração e transformação regional.
A extração mineral gera atividade econômica, mas a existência de recursos minerais não determina, por si só, as consequências da mineração para o desenvolvimento.
Diferentes formas de extração interagem de maneiras distintas com:
- mercados de trabalho;
- ocupação e migração;
- comércio regional;
- infraestruturas;
- instituições públicas;
- condições ambientais;
- mercados minerais nacionais e internacionais.
Essa perspectiva gerou questões que se tornaram cada vez mais importantes em minhas pesquisas posteriores:
Em quais condições a extração mineral produz efeitos econômicos e institucionais regionais duradouros?
e
Por que uma produção mineral significativa pode coexistir com benefícios limitados para o desenvolvimento regional?
Essas questões formaram uma ponte importante para pesquisas posteriores sobre mineração, sustentabilidade e desenvolvimento regional.
Mineração, Mercados e Estado
O projeto também deu continuidade a pesquisas anteriores sobre as relações entre mineração artesanal e políticas públicas.
Meus trabalhos anteriores já haviam analisado o garimpo como objeto de políticas estatais, particularmente na região do Tapajós.
A comparação com a mineração industrial ampliou esse problema.
Empresas mineradoras industriais possuíam capacidades organizacionais, acesso a capital e relações com mercados nacionais e internacionais muito diferentes daquelas observadas no garimpo.
O papel das políticas públicas tornou-se, assim, relevante não apenas como regulação da atividade minerária, mas também como tentativa de influenciar as consequências da extração mineral para o desenvolvimento regional.
A questão deixou de ser apenas como o Estado regulava o garimpo e passou a incluir como diferentes formas de mineração se conectavam a políticas públicas e ao desenvolvimento regional.
Abordagem de Pesquisa
O projeto combinou pesquisa empírica sobre mineração com análise comparativa e documental.
As atividades incluíram:
- análise da mineração artesanal de ouro e de suas estruturas organizacionais;
- comparação entre formas artesanais e industriais de extração;
- pesquisa sobre relações de trabalho e condições socioeconômicas;
- análise das consequências ambientais da mineração de ouro;
- exame de mercados minerais e relações econômicas;
- análise de políticas públicas voltadas à mineração;
- pesquisa de campo e documentação;
- integração de estudantes em atividades de pesquisa sobre mineração.
O projeto estava inserido no ambiente de pesquisa de pós-graduação do NAEA/UFPA e contribuiu para consolidar a mineração como campo de pesquisa de longo prazo na instituição.
Minha Função
Participei do Projeto Mineração como Pesquisador Sênior.
Minha pesquisa concentrou-se particularmente no garimpo de ouro e na ampliação comparativa desse trabalho em direção à mineração industrial.
O projeto deu continuidade a pesquisas iniciadas em meu doutorado sobre mineração de ouro não industrial na Amazônia e forneceu o contexto institucional para ampliar a investigação para questões relacionadas a:
- diferentes formas de extração mineral;
- trabalho e organização social;
- relações econômicas regionais;
- consequências ambientais;
- intervenção estatal;
- mineração industrial;
- desenvolvimento regional.
Produto Relacionado ao Projeto
Riqueza Volátil. A mineração de ouro na Amazônia
Mathis, A., Brito, D., & Brüseke, F. J. (1997). Belém: CEJUP.
Uma proposta de pesquisa de julho de 1996 para o programa subsequente sobre mineração e desenvolvimento sustentável registra explicitamente que os resultados da pesquisa comparativa de 1994–1996 seriam publicados em Riqueza Volátil.
O livro constitui, portanto, o produto editorial mais claramente documentado do Projeto Mineração.
Ao mesmo tempo, sintetiza uma trajetória de pesquisa sobre mineração de ouro iniciada antes desse projeto e deve ser entendido tanto como resultado da pesquisa comparativa quanto como síntese de trabalhos acumulados sobre mineração artesanal e industrial na Amazônia.
Contribuição para Minha Pesquisa
O Projeto Mineração representa uma transição importante em minha trajetória de pesquisa.
Do Garimpo à Mineração
O projeto ampliou o objeto de investigação do garimpo de ouro para a mineração como campo econômico e organizacional diferenciado.
Isso permitiu comparar formas distintas de extração, em vez de tratar o garimpo como fenômeno isolado.
Da Extração aos Efeitos Regionais
A perspectiva comparativa passou a levantar questões mais amplas sobre como diferentes formas de mineração interagiam com economias, instituições e populações regionais.
A pesquisa começou, assim, a se deslocar da organização da extração mineral em si para as consequências mais amplas da mineração sobre o desenvolvimento regional.
Da Pesquisa sobre Mineração à Sustentabilidade
O projeto também tornou mais evidente um problema que se tornaria explícito no programa de pesquisa seguinte: a extração mineral podia gerar valor econômico considerável sem necessariamente produzir benefícios duradouros para as populações das regiões produtoras.
Do Projeto Mineração às Estratégias de Sustentabilidade
A relação entre o Projeto Mineração e o programa posterior Estratégias de Sustentabilidade encontra-se particularmente bem documentada.
A proposta do programa subsequente apresenta-se explicitamente como continuação e ampliação do Projeto Mineração.
O Projeto Mineração havia comparado mineração artesanal e industrial de ouro.
O subprojeto posterior Extração Mineral e Desenvolvimento Sustentável perguntou de forma mais geral como a mineração poderia ser conectada ao desenvolvimento regional sustentável, às políticas públicas e à geração de benefícios mais duradouros para as populações amazônicas.
Essa trajetória pode ser sintetizada da seguinte forma:
Garimpo → Comparação entre Mineração Artesanal e Industrial → Mineração e Desenvolvimento Regional → Mineração e Sustentabilidade
Essa sequência constitui uma das trajetórias históricas mais claras de minhas pesquisas sobre mineração e transformação regional.
Relação com o Desenvolvimento Regional na Sociedade Mundial
O Projeto Mineração antecede em muitos anos o desenvolvimento de Desenvolvimento Regional na Sociedade Mundial (RWS) e não deve ser interpretado como aplicação inicial do atual marco teórico.
Sua relevância é genealógica.
Em retrospecto, o projeto começou a levantar questões que posteriormente se tornaram relevantes em outro vocabulário teórico:
- por que recursos semelhantes podem produzir consequências regionais diferentes;
- como formas organizacionais influenciam os efeitos da extração;
- como relações com mercados mundiais produzem consequências em regiões específicas;
- como a intervenção política interage com processos econômicos;
- como condições materiais influenciam, mas não determinam, o desenvolvimento social;
- como processos econômicos que ultrapassam regiões específicas se conectam a contextos regionais historicamente estruturados.
Essas questões ainda não eram formuladas por meio dos conceitos de Territorialização Seletiva, Regionalização ou diferenciação da sociedade mundial.
Sua importância reside nos problemas de pesquisa a partir dos quais desenvolvimentos teóricos posteriores puderam emergir.
Relevância analítica retrospectiva:
Mineração · Formas Organizacionais · Relações de Trabalho · Integração ao Mercado Mundial · Políticas Públicas · Condições Materiais · Transformação Regional
A relação com a RWS é, portanto, de genealogia de pesquisa, e não de continuidade teórica.
Pesquisas relacionadas
Mineração e Transformação Regional →
Políticas Públicas, Avaliação e Pesquisa Aplicada →